Excedente solar

Por exemplo, um medidor de corrente baseado em ESP8266 com Tasmota não faz amostragem da tensão, pois é alimentado por um USB, logo 5VDC. Assim sendo, apenas mede a corrente AC a passar pelo transformador de corrente. A desfasagem entre corrente e tensão é que irá determinar o fator de potência, fator este que não é medido num caso destes.

A desfasagem entre corrente e tensão ocorre, normalmente, quando se tem cargas do tipo motores, iluminação à lâmpadas fluorescentes, etc. Denotar que, na extensão máxima que eu saiba, a então chamada “energia reativa” não é ponderada em instalações residenciais.

Entretanto, quando o meu inversor está a trabalhar eu verifico que o fator de potência medido pelo contador da E-redes é muito baixo, fator este que denotaria uma muito elevada carga indutiva. Eu, com o pouco conhecimento que tenho em engenharia elétrica, não sei como deveria ponderar a medida de corrente realmente consumida do operador num quadro destes. Daí tecer o comentário, na expectativa que alguém do grupo, com engenharia elétrica, nos pudesse ajudar pois, se ponderarmos o consumo real de forma errada, poderemos estar a ligar equipamentos pensando que é o momento próprio devido ao consumo e isto não ser verdade.

Creio que no site cujo link remeto a seguir podes ter uma ideia melhor do que falo.

Para medires potência não te podes basear apenas na corrente. Se consideras um “medidor comum” que apenas tem uma pinça amperímetro a te dá o valor de potência, está errado… não conheço equipamento nenhum que te devolva energia elétrica que apenas meça corrente… Assim, recomendo que substituas o teu “medidor comum” por um medidor convencional… Posso recomendar um Shelly EM ou até este link Como instalar e configurar um Medidor de Energia com PZEM-004T em que podes construir o teu medidor de potência eletrica

Acho que não estou conseguindo me expressar corretamente… As medidas que eu faço não são feitas por medidores comuns, elas são retiradas diretamente do contador da E-redes. Tal como publiquei acima, o contador me apresenta, em determinados momentos, dados como este:
image
Como pode ser verificado, a potência ativa é de 23W. Se eu aplicar o fator de potência de 0,114 a potência aparente seria de 201W, quase 10 vezes mais.

Agora, o meu aquecimento de água é uma bomba de calor, que funciona com um compressor; a casa é um T3, com ar condicionado em todos os quartos e sala logo, 4 spliters (ventoinhas) mais o ar condicionado em si que tem um compressor mais uma ventoinha de refrigeração do gás; tenho ainda 2 frigoríficos e um bomba d’água num furo. Depois tenho ainda máquina de lavar pratos, máquina de lavar roupa e máquina de secar roupa, mais motores.

Em resumo, tenho uma carga absurda em motores que pode remeter o fator de potência muito abaixo do normal. Como posso, com base na informação retirada do contador E-redes (o único confiável no que diz respeito ao que vão me cobrar), programar/permitir o ligar e desligar de coisas cá em casa na certeza que não estou sendo enganado pelo fator de potência?

Os medidores que te recomendei não vão dar as medidas exatamente iguais ao contador EDP, mas vão dar um valor aproximado. Em relação a maneira como integras o contador da EDP não te posso ajudar pois é uma tarefa um pouco trabalhosa . Terias de criar automações e sensores virtuais para fazeres a gestão…
Eu fiz com recurso a Shelly em e com os comandos infravermelhos tuya

@Coelho_Coelho, para as decisões de quando ligar/desligar “coisas” tu medes o teu consumo no contador da E-redes ou utilizas outro princípio?

Ontem após uns dias de chuva aqui a água quente estava com umas temperaturas já baixinhas (sistema de AQS solar térmico) então como agora tenho o FV decidi engendrar a “repescagem de excedentes” para usar com a resistência de apoio.

Não é o sistema que descrevi mais acima, que irei usar com ACs, mas para uma resistência serve bem. O princípio é muito simples: no Home Assistant criei um utility_meter para medir injecção, outro para medir consumo, com ciclo de um quarto de hora.

utility_meter:
  meters_home_grid_consumption_quarter_hourly:
    source: sensor.home_grid_consumption_total
    cycle: quarter-hourly
  meters_home_grid_feed_in_quarter_hourly:
    source: sensor.home_grid_feed_in_total
    cycle: quarter-hourly

Depois um template que me dá o acumulado do que injectei na rede segundo as contas da E-Redes.

sensor:
  - platform: template
    sensors:
      home_grid_feed_in_quarter_hourly_net:
        friendly_name: "Home: net grid feed-in (quarter-hourly)"
        device_class: energy
        unit_of_measurement: 'kWh'
        value_template: "{{ ((states('sensor.meters_home_grid_feed_in_quarter_hourly') | float) - (states('sensor.meters_home_grid_consumption_quarter_hourly')) | float) | max(0) | round(2) }}"

Acho que não adianta muito partilhar esta parte porque fiz no Node RED e encaixei nas automações que já tinha para a AQS que podem não fazer sentido para outros. A regra é: quando tiver acumulado 0,07 kWh de injecção (suficiente para ligar a minha resistência 2 minutos) então ligo a resistência.

Aqui está a situação ao início do quarto de hora com 0 kWh injectados e a injectar bastante para a rede.

Passados uns minutos já se acumularam os tais 0,7 kWh então liga a resistência indo buscar electricidade aos painéis e o resto à rede, do que foi injectado anteriormente.

Isto até o contador chegar aos 0 kWh de novo. O objectivo é chegar ao último segundo do quarto de hora com a injecção a 0 kWh (mas sempre igual ou maior do que o consumo).

Ao final do dia fiquei bastante satisfeito pois foi fácil de implementar e meteu-me a água a 65º num instante, o que não aconteceria com o solar térmico (mas tenho bastante mais área de FV).

A E-Redes concordou comigo, neste quarto de hora por exemplo consumi zero segundo as contagens deles, embora os picos de consumo tenham excedido a produção dos painéis. É o “Net Metering” a funcionar, de certa forma dá para usar a E-Redes como uma bateria mas só num horizonte de 15m.

Nota: só implementei isto rapidamente antes do almoço, daí os picos no gráfico começarem nessa altura.

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Lol. Desculpe… Mas és o primeiro “louco” que nem eu que encontro aqui. Não sei bem como vou fazer porque o meu aquecimento de água é uma bomba de calor. Mas tua ideia é genial! Como na bomba de calor tenho entrada para aquecimento vindo de aquecimento solar, posso meter um termo-acumulador para simular o aquecimento solar, aquecer via o excesso de produção à cada 15 mintuos e não pagar por isto. 10! Gostei imenso da ideia.

Por norma as bombas de calor tradicionais tambem tem resistência eléctrica de emergência, Da para fazer como o Luis M disse, aliás uma ideia interessante, pelo menos para o inverno.
Já agora Luis esses dados vem do contador da concessionária?

O meu medidor é um Wibeee. Em contratos residenciais só interessa a energia activa. O medidor disponibiliza outros dados mas são pouco relevantes para mim.

As bombas de calor aquecem por compressores. Há o auxílio da resistência para temperaturas superiores a 60ºC. Ponderando a tua ideia, talvez seja possível encontrar o ponto onde a resistência se liga denro da máquina e pôr um Shelly para ligá-la independentemente do controlador da bomba de calor em si.

Porque tanta coisa! Existe um gestor de excedentes que podes usar para encaminhar para uma carga resistiva o excesso da tua produção e assim injectares zero na rede.

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Viva! Expande mais o tema… Tenho imenso interesse em aproveitar o meu excesso para manter, ao máximo possível, a água aquecida sem custos. Perguntas:

  • A solução acima é fruto do inversor?
  • Se não for do inversor, é qual equipamento/fornecedor?

Já li sobre a seguinte solução:
http://freeds.es/

Mais info no seguinte vídeo:

Eu ainda não vou investir nisso porque quero saber quais serão os meus excedentes no inverno.

Não sei se com isso alguma vez iria recuperar o investimento. Apenas conseguirei estimar quando tiver uns 6 meses de uso do sistema solar fotovoltaico.

Como já tenho tudo para fazer a gestão dos 15 minutos e não necessito de investimento adicional, por agora vou esperar.

Interessante… No meu caso, eu vendo o meu excedente pelo preço de mercado do dia (OMIE), onde o comprador retira 10% de margem para ele. Entretanto, ainda não recebi um cêntimo porque a E-redes está a falhar a comunicação oficial dos meus contadores e, como sabemos, ninguém paga a outro num caso destes. Depois que eu avaliar o benefício da venda poderei então medir se vale ou não investir num gestor destes.

Dito isto, fico a pensar… Eu meço consumo/produção ao minuto. O que me impediria de, com base no nos dados colhidos diretamente no contador da E-redes, ligar/desligar o aquecimento da água? Repara que isto seria, em Node Red, um node de MQTT a receber o publicado pelo Tasmota que, por sua vez, ligava/desligava o aquecedor à resistência; se a água já estivesse na temperatura desejada, o aquecedor embora alimentado, simplesmente não ligava.

Minha dúvida é saber se valor que vou receber pela venda não cobre o aquecimento durante os períodos noturnos.

Boas , pena é que o valor de mercado da energia para venda ser tão baixo anda na casa de 3 a 6 cêntimos, se não estou errado.
Em relação ao projecto do Luis M, a grande vantagem é não ter grande investimento extra, apenas alguns neurónios queimados…

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Desculpe, mas não acho que estejas certo. Eu ainda não posso afirmar com certesa porque nunca recebi um pagamento sequer. Entretanto, o meu contrato de venda é:

image

Ou seja, pago 10% de taxa de administração sobre o preço de venda no mercado ibérico. No dia 20 foi:
image

Se assim for, recebo 15 cêntimos, menos 10%, por kWh fornecido. Já esteve a 199€…

O site oficial OMIE é: https://www.omie.es/pt
Veja os preços da semana e diz-me se continuas a achar que vender não vale a pena…

E sim, estou queimando o restinho de neurónios que tenho, lol.

Realmente se for assim, não está nada mal, mas tinha outra ideia, se for assim compensa, já agora quando tiver a certeza poste aqui, para termos uma ideia.

Tal como já foi respondido o video do Roberto já explica como o sistema funciona. A solução é opensourse e não tem qualquer custo. O hardware podes comprar ou se souberes tu proprio podes construir tal como indica no site. A solução do hardware pode custar (a comprar) entre 35 e 50 € dependendo do que escolheres. O sistema trabalha com muitos inversores diretamente e essa informação esta na web bem como outros equipamentos. Eu tenho o meu a trabalhar com um shelly em á mais de um ano. Esta é uma solução envia diferente de tudo o que esta descrito neste topico, podes criar um master e varios escravos. Ve a web e depois alguma duvida é só dizer.

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